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Amor, Sexo e Erotismo

Amor, Sexo e Erotismo

As partidas do nosso cérebro

01.08.20 | Inês

Sexta feira, 24 de julho de um ano qualquer que já não me recordo... 

São 15h29 e acabo de de entrar no meu gabinete. Em cima da minha secretária está uma encomenda postal. Finalmente chegou. Abro com todo o cuidado a caixa de papelão e percebo que dentro dentro dela há mais do que havia pedido.

Fiquei por breves instantes a olhar para dentro da caixa. A música soou dentro dela e sem hesitar peguei no livro de capa branca. Estranhei pois não tinha letras, desenhos, códigos... Nada. Não tinha nada. Abri o livro e as folhas moveram-se tão rapidamente...o vento movia-as e a música continuava a tocar. 

Pude perceber que estavam também elas em branco. O que iria eu fazer com tantas folhas brancas? Porque razão estava dentro da caixa? 

Uma espécie de falha no processo de armazenamento, uma partida, um sinal vermelho, um aroma ,uma música ou momento que nos remete para uma situação em particular, um reviver de vezes sem conta um mesmo presente...

Fechei os olhos e preenchi o livro com uma nova história. Uma nova melodia, uma nova vida, e li em voz alta para que todos a ouvissem. Respeitei todas as vírgulas e os pontos finais e quando abri os olhos estavas lá. Ouviste tudo de início ao fim, sem interrupções, e com um sorriso enternecedor pediste-me que fechasse os olhos contigo de mãos dadas. Vamos escrever uma história juntos? 

Um tempo que urge , um tempo que é apenas este, o nosso tempo. O tempo que não é mais do que aquilo que fazemos com ele e não outro tempo. Não há outro tempo. Há apenas este e este é apenas o tempo que marca a nossa história e que tantas vezes nos deixa vulneráveis.