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Amor, Sexo e Erotismo

Amor, Sexo e Erotismo

...

29.06.21 | Inês

 

 

 

 

Um poema

cresce inseguramente

na confusão da carne.

Sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,

talvez como sangue

ou sombra de sangue pelos canais do ser.

 

Fora existe o mundo. Fora, a esplendida violência

ou os bagos de uva de onde nascem

as raízes minúsculas do sol.

Fora, os corpos genuínos e inalteráveis

do nosso amor,

rios, a grande paz exterior das coisas,

folhas dormindo o silencio

a hora teatral da posse.

 

E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.

 

E já nenhum poder destrói o poema.

insustentável, único,

invade as casas deitadas nas noites

e as luzes e as trevas em volta da mesa

e a força sustida das cisas

e a redonda e livre harmonia do mundo.

Em baixo o instrumento perplexo ignora

a espinha do mistério

 

- E o poema faz-se contra a carne e o tempo.

                                     Herberto Helder

 

Um encontro...diferente

23.06.21 | Inês

Forçava-me a caminhar a um ritmo constante como se entre um passo e outro tivesse de decorrer um tempo preciso. Caí na tentação de ir ver as mensagens que tinha chegado na aplicação de encontros. Eram muitas e não quis responder naquele momento. Por vezes, o número de mensagens irritava-me e optava por ignorar. Mas lembrei-me que não desativei a localização e fui ver se tinha cruzado com alguém... vejo que cruzei com uma das pessoas que me enviou mensagem. Levanto os olhos e à minha frente está alguém sem máscara e a sorrir. Eu, timidamente, sorri e olhei de novo para a foto para ver se é a mesma pessoa. 

Não precisas, Inês. Fui eu que te enviei mensagem. É impossível ficar indiferente ao teu olhar e ao vivo é ainda mais... 

Tirei a máscara e sorri.

Olá, Nuno.

Olá, Inês. Costumas vir para cá fazer exercício?

Sim. Venho cá quase todos os dias. Podemos faz companhia um ao outro. Queres?

Quero. 

A conversa fluía e o sentido de humor encaixava na perfeição. E a cada sorriso e gargalhada havia uma vontade de olhar nos olhos um do outro. A dada altura começamos os dois a caminhar mais devagar até que ele olha para mim e diz: 

Inês

Sim, Nuno?

Os teus olhos estão esverdeados mas ainda há pouco pareciam cor de mel. 

Não, Nuno. Os meus olhos não mudam de cor assim. Eu até gostaria mas não. 

Ai mudam, mudam. 

Não mudam nada.

Inês, senta-te aqui comigo e deixa-me ver melhor. 

Nuno

Inês

Então de que cor são os meus olhos?

Eu mostro-te. Queres?

Como assim?

Posso tirar-te uma fotografia para tu veres. Ou então tiramos uma os dois, juntos. 

Não. Não quero. 

Ok, como queiras. Eu guardo para mim o que estou a ver neste momento. 

Isso. 

Olha, Nuno, já reparaste que está ali um grupo de pessoas a dançar? 

Sim, é natural. Costumam estar por aqui a esta hora. 

Ah, não sabia...

E neste preciso momento, ele agarra a minha mão e diz-me vem comigo Inês.

Onde?Nuno? Então?

Então, eu já te mostro. 

Ok, mas não vamos de mãos dadas. 

Vamos. Sabes porquê?Estás confortável com o meu toque. Caso contrário já terias largado a mão e não o fizeste. Relaxa miúda. Só quero dançar contigo.

Dançar?Aqui no meio da rua? 

Aqui com esta vista magnífica e rodeados de pessoas e com lua cheia. Sim, aqui. Eu e tu. 

Oh Nuno, eu não...

Shiuuuu... eu sei que vais gostar... 

 

 

 

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