Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Amor, Sexo e Erotismo

Amor, Sexo e Erotismo

Coração desabitado

11.12.21 | Inês

Tira-me uma dessas fotos que tiras,

embacia a objectiva, desfoca

um pouco e mede mal a luz. Agora

que termina o dia não é difícil

eu sair favorecida. Que os traços

se suavizem, que todas as rugas

da alma e do contorno dos olhos

desapareçam e que quem me veja

pense que posso merecer a pena.

E sobretudo, que o que impressione

nessa foto não seja eu, que estou

ali, mas os teus olhos que a tiraram.”

 

Coração Desabitado | Amalia Bautista

...

03.12.21 | Inês

Haverá sempre um espaço invisível entre nós. Sim. Não fosse o ar o elemento de ligação entre o visível e o invisível, não é?

À luz da ciência nunca conseguimos vencer essa força que nos repele. E as palavras...

As malditas palavras que me perfuram os tímpanos e me aquecem o peito?

Tomara eu que a palavra não tivesse tanto valor e significado. É que para mim ainda tem. Não gosto de atirar palavras ao vento sem sentido. E há palavras que rasgam o peito e nos deixam vulneráveis.

Proponho pena máxima para quem as disser em vão. Não fui eu. Não foste tu. Não foi em vão. Eu sei. Mas o meu "Eu" é desajeitado ao invadir o palco e a gerir emoções sabes? E eu sinto-me como uma menina que enfrenta uma resistência tremenda para se endireitar uma última vez…

Não devia...

É nesse diagrama singular de ligações a pensamentos e sonhos que é impossível ficar longe da loucura. 

Ligados por uma ponte de fogo

Que vibra subtilmente

Nos avanços e recuos

É só no teu abraço que me perco

O escudo de folhas que o vento criou

Em torno de um corpo que vê o rastilho de pólvora

Dissipa-se como que por magia

Entre sussurros que não vejo

E olhares que não oiço

Os lábios não escrevem

E a luz divide os corpos

Com os dedos que gritam

Num místico desassossego

E o meu toque aflito

Como se fosse chuva

Desliza pela tua pele nua

Enamora-se e dança  

Com a água que tens na boca

Onde as línguas são confidentes

De um amor que não hesita

Em ir mais fundo e mais alto

Entrelaçados com o vento

Onde o tempo abranda

E acelera

E depois abranda de novo

na nudez coberta de pele 

E todos os dias te abraça

E ama como a primeira vez

Mas não te rouba o espaço

Tão apreciado

Porque existirá sempre

Um espaço vazio 

Sem proteção nenhuma

Entre nós...

 

Pág. 2/2