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Amor, Sexo e Erotismo

Amor, Sexo e Erotismo

...

29.06.21 | Inês

 

 

 

 

Um poema

cresce inseguramente

na confusão da carne.

Sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,

talvez como sangue

ou sombra de sangue pelos canais do ser.

 

Fora existe o mundo. Fora, a esplendida violência

ou os bagos de uva de onde nascem

as raízes minúsculas do sol.

Fora, os corpos genuínos e inalteráveis

do nosso amor,

rios, a grande paz exterior das coisas,

folhas dormindo o silencio

a hora teatral da posse.

 

E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.

 

E já nenhum poder destrói o poema.

insustentável, único,

invade as casas deitadas nas noites

e as luzes e as trevas em volta da mesa

e a força sustida das cisas

e a redonda e livre harmonia do mundo.

Em baixo o instrumento perplexo ignora

a espinha do mistério

 

- E o poema faz-se contra a carne e o tempo.

                                     Herberto Helder

 

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