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Amor, Sexo e Erotismo

Amor, Sexo e Erotismo

Já não escreves Inês...

31.08.21 | Inês

Não tenho escrito muito não.

Sabes...eu não tenho nada para escrever. Nada para dizer. E a imaginação já foi melhor. E eu, reservada que sou, não gosto de partilhar. Já fui melhor pessoa...eu sei... já fui já!  

Não é qualquer pessoa que eu deixo entrar no meu universo. Não é não. Nada mesmo. Nunca foi. Uma coisa é aquilo que se vê com os olhos. Outra é quando se vê com o coração. E nem todos usam a mesma lente. Não.

Não sou de me esconder, não só não evito pessoas como estou muitas vezes no meio delas. Gosto de estar no meio do caos. Cada pessoa é um estado de entropia diferente. Cada um tem o seu e eu... bem eu tenho um estado muito próprio.

Sei que não vejo o mundo como os demais. Sei que não. Ouço da mesma forma mas não vejo igual não. Desde muito cedo. 

Na escrita também há bocadinhos de mim. Mesmo na escrita criativa (a maioria é!)   E alguns, só alguns, captam um bocadinho da minha essência atráves das palavras soltas e muitas vezes , propositadamente, desordenadas e sem vírgulas ou pontos finais. 

Gosto de ter os meus segredos. Aqueles segredos que são cúmplices do vento e da chuva. E cada dia que passa fico mais refém deste meu estado de ... de nada dizer. Pouco ou nada escrever. Nada fazer. Nada querer. Nada prever. Nada esquecer. Nada...

SENTIR? 

Sei o que isso é e não estou assim. Eu sinto. Sinto muito... o mesmo que um lamento. Sinto muito!

Estou cansada. Já não quero saber da maioria das coisas sabes? É indiferente. Só quero saber da promessa que fiz e que vou cumprir.

 Tudo o resto?Não quero saber. É indiferente. 

Nada Inês. Não somos nós pequenos nadas que coladinhos , bocado a bocado, deveriam fazer sentido? 

Nada mas nada me apetece fazer senão permanecer assim em frente ao rio e sem nada dizer. Mais uma vez.

Também não há nada que lhe possa dizer que não tenha dito já. Pelo agitar das águas ele entende o que o meu silêncio lhe diz mesmo que seja na forma de um sussuro.Oh. Um sussurro silencioso. Estou louca não estou? Diz-me... estou? Se vês essa loucura em mim estarás tu também louco? Ou é precisamente por não seres louco que vês mim essa loucura? Diz-me... 

Já faz tempo que me expresso através da música e dos rabiscos que faço nas folhas soltas que decoram a secretária. Já lá vai o tempo em que os estímulos sensoriais transformavam-se em palavras. Agora são apenas sons que saem da alma ou pinturas abstratas. 

Nestes últimos meses, o piano e a viola foram os meus companheiros das noites sem sono. A viola já tenho há uns anos e sei tocar algumas músicas. Poucas. O que sei aprendi sozinha.

O piano adquiri há uns meses. Bom, na verdade não é um piano mas eu gostava que fosse. É um teclado.

Quando os meus dedos tocam naquele teclado... é incrivel. É incrível como não tenho pressa de aprender mas sim de sentir. Fecho os olhos e toco. Toco como eu quero e bem me apetece e ele, obediente, canta para mim. Todas as noites.