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Amor, Sexo e Erotismo

Amor, Sexo e Erotismo

Um encontro às cegas

16.01.21 | Inês

PARA OUVIR DURANTE A LEITURA

Um desejo e fascínio pelo desconhecido. Um mundo diferente dos demais. Uma procura incessante de algo que desconhece e que lhe traz à memória as poucas brincadeiras que gostava quando era criança. Puzzles.

No seu quarto, sozinha, e quando já os tinha completos, desenhava peças novas e recortava-as para as juntar de novo. Preocupados com o sua obsessão, todos insistiam em dar-lhe outras opções. Inês não queria. Pedia sempre o mesmo. Mais e mais puzzles. Começou a recortar fotografias e a tentar encaixar os rostos em corpos que não lhe pertenciam, repetindo o processo inúmeras vezes. Formava peças isentas de sentido, forçando sempre a encaixá-las num espaço que não lhes pertencia. 

A Inês cresceu. Passou a interessar-se pelas relações humanas. Agora, tudo à sua volta se assemelhava a peças do jogo cada vez mais pequeninas e dificeis de juntar. 

Movida por esse desejo insaciável de perceber o mundo e as pessoas, decidira ir ao encontro de alguém que não conhecia. Ou melhor dizendo. "Conhecia" virtualmente. O encontro às cegas que nunca havia tido.

A mente dele era o seu "jogo" preferido. Ou seria a mente dela um jogo para ele. Uma mente brilhante. Inês tinha de saber como funcionam as mentes assim. Diferentes. O dito "normal" ela já conhecia. Não lhe despertava interesse. Era aquele homem, aquela mente que a seduzia. A sedução era tal que a sua mente lhe provocava algo semelhante a orgasmos. Invertidos. De fora para dentro. Sensações que implodiam como sopros, para dentro de si. Uma figura de estilo. Um pleonasmo, ela sabia-o. 

Estava a poucos passos de estar frente a frente com o desconhecido. Seguiu as pistas deixadas por ele. Sempre movida pela curiosidade e a adrenalina que tinha no corpo. O corpo começara a tremer, o coração pulsara depressa demais, a temperatura do seu corpo ia diminuindo. E, na tentativa de controlar o que sentira, treinava-se a respirar florescentemente. 

Abriu a primeira porta, seguiu o caminho de pétalas vermelhas iluminado por velas de aromas intensos. 

E, de repente, ao deparar-se frente a frente com ele, repara que ele tem algo na mão que em nada se assemelha a rosas, era a peça do puzzle em falta, e, em pânico, tenta fugir. Em vão. Nunca correra muito em criança. Afinal passava o tempo fechada no quarto a construir e descontruir puzzles. 

Nunca mais o iria voltar a fazer. A curiosidade matou a gata...